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Descobri que a nem sempre a ausência é algo ruim.
Pode também ser bom.
Depende de como a gente encara essa ausência todos os dias.
Faço da ausência de muitas pessoas motivo pra querer levantar todos os dias cedo.
Pois sei que a cada dia vivido mais próximo se torna o dia do encontro.
E assim é mais fácil saber lidar com a distância.
Distância boa é aquela que a gente sabe que do outro lado também somos amados.
Que mesmo estando aqui e aprendendo a amar esse lado, do outro é o velho e bom aconchego.
Quando sinto um nó na garganta sei que não é sufoco.
É saudade.
De ver os olhos que me conhecem e não me questionam.
Saudade de abraços que tem a medida certa da minha alegria.
Descobri que a gente tira força de não-sei-onde.
E também é bom saber que tenho essa força que nem sabia.
Alias, quanto mais conheço as pessoas, mais me conheço.
Cada uma delas me mostram um pouquinho como sou.
E nessa composição toda mais perto chego de ser quem eu desejo...
Simples, cada vez mais simples.
E por consequência, mais plena.
Descobri que certas coisas só são importantes porque nós a fazemos ser.
Que quando decido que não quero mais que essa coisa seja importante ela se transforma.
E aí o disco troca de lado e a música muda de tom.
Fazendo o balanço ser mais suave e do meu jeito.
Então penso o que faz a gente querer mudar as coisas?
Mudar o cabelo, a roupa, e a posição dos móveis?
Não sei.. mas deve ser a mesma sensação de descoberta.
De sede para tentar aprender que dá pra ser feliz sim.
Ser feliz do nosso jeito esquisito de ser.
Pois até hoje ainda não consegui definir o que é ser normal...
E sinceramente, no meio de tantas descobertas isso é o que verdadeiramente não é importante.
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Me tornei espelho das minhas escolhas.
O que já foi não me basta.
Gosto de possibilidades.
Até mesmo entre um longo pensamento e uma rápida recordação.
Nesse meio tempo posso até mudar de idéia.
E não me exalto se alguém me julgar como flexível demais.
Flexibilidade no meu ponto de vista tem tudo a ver com inteligência.
Saber pra que lado remar na hora do sufoco e esquecer o orgulho.
Quem se perde no caminho são os preocupados.
E preocupação entendo simplesmente como coisa de gente despreparada.
O que vem ou o que foi não está em minhas mãos.
E por isso prefiro entender a vida agora.
Não sou resultado de uma falha.
Sou a construção de uma bifurcação, depois de um trevo e me torno um rodoanel.
Cheia de caminhos.
Não tenho uma só vontade.
Tenho várias.
E pela manhã escolho uma delas e vou.
Acreditando que a escolha já tinha sido feita muito antes de eu querê-la.
A vida é assim ao meu ver.
Feita de movimento.
De idas e (pra mim) poucas vindas.
A cada trevo que chego me encanto com tantos lados.
Mas a cada caminho escolhido não volto mais naquele trevo.
Vou em busca sempre do próximo.
Procuro incansavelmente pelo novo.
Pois é o novo que me faz sentir que estou viva.
Por trás desse olhar que muitos encaram existe uma alma densa.
Que vibra na intensidade exata de cada vontade realizada.
E essas vontades não são nunca grandes acontecimentos.
Basta me cativar.
Me deixar livre para escolher entre tantas possibilidades.
E me respeitar.

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É impossível não se encantar por esse lugar.
Aqui ou você ama ou você odeia.
Não existe meio termo.
Como se eu tivesse vivido um ano em um mês.
Mesmo que se eu precisasse voltar pra lá, eu já teria histórias suficientes pra contar .
Tudo aqui tem movimento.
Tem velocidade que meus olhos ainda não consegue acompanhar.
Quando acho que o céu firmou e pisco os olhos, ele muda de cor.
Por aqui as coisas acontecem assim.
E ainda consigo controlar meus passos na calçada enquanto o resto vai passando por mim em passos largos e apressados.
O sotaque diz de onde sou.
E faço questão de continuar com meus "uais" antes de iniciar qualquer frase.
Assim também ficar na espreita e faceira com o que está por vir.
Confio, mas como todo bom mineiro, também desconfio.
Por aqui os únicos pássaros que vejo são pombas.
Nenhum bem-te-vi cantando na minha janela...
Quando olho pro céu, são aviões e helicópteros quase o tempo todo.
Ainda fico que nem moça do interior olhando pro céu ao escutar os barulhos.
A lua só outro dia consegui avistar...
O céu naquele momento abriu um pouco.
Mas as estrelas... Estrelas ficou só na memória.
Estrelas, céu limpo, lua cheia é só lá em Minas.
As vezes sinto uma saudade incontrolável.
Mas me seguro.
Olho pra minha mala no canto do quarto pensando em enchê-la com o restante das minhas roupas e trazê-las.
Mas nunca penso em enchê-las pra voltar.
Sinceramente me preparei pra algo muito díficil, e por estar tão preparada pra falhar, me sinto imensamente orgulhosa por estar conseguindo me adaptar.
O segredo é não ficar pensando.
Não gasto mais meu tempo com o passado.
Me lembro das pessoas e dos possíveis encontros futuros com cada uma delas.
Mas não penso no que já foi.
Se não não vivo aqui. Vivo lá.
E daí toda essa mudança não seria real.
Os dias tem começo, meio e fim. Como os de lá.
Mas aqui o fim do dia pode ser apenas o começo.
Entende? Não... Também estou aprendendo essa dinâmica.
Quando saio a noite, meu pescoço depois até doe.
É tudo tão iluminado, tão claro que me encanta.
Diferente de passar férias e feriados, morar é mais interessante.
Posso ter mais calma ao observar as coisas em volta. Não preciso de fotografias.
Outro dia estive na Liberdade, alias, outra noite.
Quando o carro virou em uma esquina e me deparei com tantas luzes dos postes nem consegui pisar.
Fiquei tão envolvida que até senti vergonha por um momento de achar tudo aquilo novidade.
Mas depois pensei.. pra mim é. E ponto.
Então é isso.
Quero continuar.
Pois a cada passo, meu suspiro é dobrado, e eu acho que ainda tenho muito pra aproveitar.