segunda-feira, 9 de maio de 2011

RECOMENDAÇÕES

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No deserto só sobrevive as pessoas inteligentes de alma.
Que sabem que é preciso ter muito mais paciência que agilidade.
Estar no deserto requer fé.
Fé para continuar a caminhar dia após dia sem ter nenhum horizonte.
A fé te impulsiona e te mantém firme nas promessas de Deus.
E este certamente estará te segurando no colo.
Talvez essa seca toda em volta seja para aprender algo.
Algo que você vai precisar no futuro.
Aproveite esse tempo para se fortalecer.
Para amadurecer sonhos e ideias.
Se encha de um combustível chamado esperança.
Levante e diga: é hoje.
E mesmo que ainda não seja, tente viver como se fosse.
A cabeça tem que ser firme. Tem que estar firme. Tem que permanecer o tempo todo firme.
Haverá dias de choro, de desânimo, de raiva ou até mesmo de tristeza.
Mas esses dias passarão.
E você deve continuar a caminhar.
Não se entregue a um quarto vazio.
Não fique reclamando o tempo todo.
Não gaste sua energia com o desnecessário.
Economize palavras.
Silencie e aguarde.
Sua vez. Sua hora. Seu momento.
Tudo que você precisa para sua sobrevivência, Deus providenciará.
Tudo que seu coração deseja, certamente Deus fará ainda melhor.
Melhor que teus sonhos conseguem enxergar.
É por isso que é preciso esperar.
Se está nesse deserto, sem saber para qual lado ir.
Saiba como és especial aos olhos de Deus.
Saiba que Ele está agindo, mas Ele quer que você amadureça nesse tempo.
Que aprenda, que se fortifique, para quando suas promessas sejam realizadas, você saiba aproveitá-las.
Ore, pedindo sabedoria.
Peça paciência.
O tempo que se fica no deserto não importa.
Quando você sair dele, pouco se lembrará de como demorou.
Lembrará somente de tudo que aprendeu e de como mudou.
Outros desertos virão ao longo da vida.
Mas o primeiro deserto é inesquecível.
Você se recordará sempre de como se comportar.
E a melhor coisa a se fazer nesse tempo é saber esperar.
E aprender.
Muito.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

BENEDITA

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O seu olhar naquela rodoviária era de quem já sabia meu destino há muito tempo.
Eu não conheço sua relação com Deus.
Mas sei que vocês são muito chegados.
E Ele deve ter cochichado no seu ouvido que era pra você dormir sossegada.
Você me olhou de um jeito que eu jamais vou esquecer.
Minhas partidas sempre tinham data de retorno.
Mas nesse dia você sabia que tinha criado uma pequena fortaleza.
E me encorajou.
Só pelo olhar.
A gente nunca foi de ficar trocando palavra carinhosa.
Mas sempre o seu carinho vinha com sua eterna preocupação e puxões de orelha.
E dessa forma fui traçando meus contornos e construindo meus alicerces.
Eu sinto sua falta aqui.
É que tudo que meus olhos julgam como novidade ou interesse eu gostaria que os seus também pudessem olhar.
Vem daí toda essa saudade .
De querer ver você enxergar comigo.
Descobrindo tanta novidade como se tivesse minha idade e nunca tivesse vivido nadinha.
Você do meu lado é companhia certa.
A gente ri até do que não tem graça.
E mesmo sabendo que não tem graça, a gente tem nosso jeito de se entender.
E não é porque te conheço há 24 anos que faço isso.
É porque eu acho que já viemos juntas de outras vidas.
Quem sabe eu já até fui sua mãe e você minha filha.
Vai saber não é?!
Como você sabe eu acredito em quase tudo. Até que me provem ao contrário.
E aqui, eu não penso em você.
Mas por favor não se espante.
Eu não penso pra disfarçar sua falta do meu lado.
É que toda vez que lembro de você me olhando vir embora, me dá uma nó na garganta.
E prometi só chorar quando a dor fosse de barriga ou quando o dedinho do pé encontrasse uma quina.
Do contrário eu iria driblar esse nó na garganta fazendo um laço.
É por isso que não penso em você.
Mas te sinto.
Te sinto todos os dias e minutos.
Você está presente no meu jeito de falar e no tom da voz.
Eu sou seu reflexo nessa terra de estranhos.
Sabe Dona Dita, algo me diz que ainda vai ouvir falar muito de mim por aí.
E acho que a senhora sabe disso desde que olhou pela primeira vez.
Eu nasci com asas.
E graças a Deus a senhora nunca as cortou.
(Iara Maria)
Pra Dona Dita, meu amor maior.

terça-feira, 3 de maio de 2011

MARIA CALOU-SE

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De repente ela ouviu o que mais temia.
Maria era fraca pro amor.
As palavras sairam da boca dele como se fossem desses palavrões bem cabeludos.
Embora Maria sabia dessa verdade há muitos anos, constatou que alguém havia reparado.
Engoliu a seco sem nenhum copo de d'agua para ajudar.
Mas nessas alturas, ela queria era um copo de uma bebida bem forte.
Que era para digerir melhor.
Não se importava com o que os outros pensava.
Porém precisava disfarçar melhor essa inaptidão para o amor.
Sabia que se a notícia corresse por aí, seria grande os destroços encontrados.
Por onde passou, ela deixou alguma marca.
Ora era em seu próprio coração.
Ora era no coração de quem se relacionava.
Maria tinha duas almas.
A moça-alegre-carismatica que encantava.
E o lado perverso que destruia.
Era uma luta pertubadora.
Bastava sem encantar por alguém que começava as confusões.
O que Maria não sabia que isso ficou visível para quem estava de fora.
Pensou em levantar da cadeira e sair correndo pra longe.
Mas sabia que isso seria seu lado perverso assinando o papel em branco para confessar.
Preferiu render-se.
Entregar-se.
E dizer que realmente não era um ser perfeito.
Embora para muitas coisas ela era colada com a perfeição sabia que para o amor era fraca.
E calou-se.
Como alguém que acaba de confessar o seu pior crime.
Maria não sabia conduzir o carroagem do amor.
E muito menos domar as rédeas que eram colocadas em sua mãos.
Sentiu um aperto no peito por se sentir incapaz para amar dessa forma.
Sentiu uma vontade imensa de pedir para alguém ensiná-la.
Mas calou-se.
Calou e aceitou sua condição.
Dessa vez sem lágrimas. 
Sem mágoas.
Maria já havia crescido o suficiente para compreender que não poderia saber tudo.